Arquivo da categoria: Fatos da vida

Relacionamentos


Hoje fiquei pensando, de tempos em tempos conhecemos alguém que juramos ser a pessoa perfeita, e especial, e tem uma conexão incrível que você nem mesmo pode explicar. Acredito que acontece mesmo uma boa química, e, às vezes, há muitas coisas em comum sim. Mas nenhuma relação é mais do que a outra. Tudo será passageiro, o tempo passará igual, algumas histórias duraram mais do que outras, e lembranças sempre vão ficar.

Algumas pessoas aceitam encaram de uma forma tranquila, outras vão enlouquecer por um tempo, e tem aquelas que perdem a cabeça pra sempre. Mas nada disso importa muito. De qualquer modo tudo acaba, na vida ou na morte. E não é pra ser deprimente, é apenas para considerar esse ponto de vista quando achar que vai morrer por alguém.

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O gato do vizinho


Não paro de pensar no gato do vizinho.

Outro dia, dentro do carro e pronto pra sair de casa, vi aquele gato, meio cinza, um tanto amarelo claro, caminhando pelo telhado curvado como se a gravidade estivesse fora do planejado. Não tenho a menor ideia do que um gato pensaria naquele momento, talvez só estivesse procurando um lugar onde não pudesse ser observado. Fiquei quase um minuto tentando adaptar isso pra minha vida. Dias tentando tirar alguma lição que eu pudesse explicar a mim e aos outros. Mas acho que não tem muito mais a dizer sobre o animal. Ele desapareceu depois de roubar discretamente essa cena que não parece importante.

Deve estar por aí caminhando por outras estradas agora, sendo vigiado por alguém que não tenha muita coisa a dizer.


Perguntei-me hoje sobre quantas pessoas acordam como se tivessem perdido seus sentimentos. Inertes, reflexões vagas, ainda na cama, sobre o dia que espera para acontecer. É como se a importância com o problema ingênuo do seu amigo ou o bem da humanidade fossem apenas um efeito imaginário, mais um sintoma bizarro da crise que te atingiu na noite anterior. Agora, você é um ser neutro, olhar para os lados já não é mais uma opção.

Ecotone


Desde a época da adolescência eu percebia que as coisas novas, apesar de interessantes e revolucionárias, nunca eram tão boas quanto as antigas. O jeito que as roupas mudam, as novas tecnologias da televisão, tudo acontecendo em prol da interatividade global, acaba parecendo uma corrida sem fim com destino a lugar nenhum. Muitos podem dizer que é questão de adaptação, resistência a mudanças, e nostalgia. Estão certos. Mas quem pode explicar aqueles momentos que nos despertam um sorriso ligeiro, aquele tempo só seu em que você acha que nem vale a pena explicar porque eles nunca entenderiam com a mesma profundidade que você? Acredito que todos tenham alguns.

Apesar de ainda não conhecermos um modo de viajar no tempo, existe certos lugares em que de alguma forma entram em conexão com nosso espírito. É aquela natureza que apesar de já ter sido modificada um dia pelo homem ainda preserva sua forma mais primitiva. Os caminhos que começam em um asfalto de alto investimento e em minutos se transformam em estradas de terra batida e cascalhos. As rochas agora já desenhadas pelos elementos naturais, atraem nossos olhares curiosos, procurando por algum formato peculiar. O céu que sempre parece preparar uma obra de arte para os poucos que ainda sentem aquela emoção primitiva em observa-lo. E também as árvores, gigantes e rasteiras que teriam tanta história para contar que dificilmente um homem moderno acreditaria.

Henry David Thoreau acreditou um dia que o homem para encontrar a si mesmo, deviria ir de encontro com a natureza e viver do essencial. Viveu por dois anos nos bosque às margens do rio Walden, e escreveu um livro sobre essa jornada. Uma citação marcante e que dá início a sua história é “Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte, que não tinha vivido.” É um fato para ser refletido com sabedoria.

Talvez a preguiça da modernidade de ainda não ter dado atenção a esses lugares mais afastados das grandes cidades, nos dê esse sentimento de que aquela paisagem é uma forma de olhar pra trás sem aquela tristeza nostálgica no olhar. A vontade de tomar um café com leite de verdade em uma casa antiga, comer aquele pão feito em casa sem gosto de linha de produção, e conversar com aquelas pessoas que acharam ali um abrigo contra o monstro do mundo moderno, parece ser um pedido que vem com muita força da alma. E também um elixir da vida para o corpo.

Não acredito que todas as pessoas sintam o mesmo que eu quando se encontram em tal situação. Sei que boa parte sentiria tédio e não tiraria a cabeça da novela ou seriado e o smartphone seria uma extensão do corpo. É triste como muita gente esquece ou mesmo não dá valor para esse nosso lado mais antigo. Não é preciso viver no passado ou se tornar algum tipo de rebelde contra o novo mundo. Mas o que tenho certeza é que aqueles, como eu, que ainda sentem essa vida extra dentro de si, nunca devem ter preguiça ou adiar esses encontros. Nunca será uma perda de tempo. Esteja certo de que você conhecerá, ou ao menos se lembrará da felicidade verdadeira.

Por Diego Z.