Arquivo do autor:Diego Z.

Outro Lado


Eu vou chorar em dias errados
Sem aviso prévio ou hora marcada
Na certeza de que à partir de agora
Não teremos nada mais incerto
Estarei dirigindo pela mesma avenida
Que me trouxe flores dentro de um pesadelo
E aquela música que antes não fazia sentido algum
Agora me faz sentir tudo o que fiz de errado

Ando por aí e as coisas não parecem muito bem
Há algo de errado naquela esquina
No meu estômago e no céu também
Aonde estão aqueles que disseram que daria certo?
Procurei nos livros, na bebida e no que é proibido
Mas tudo o que consegui ao final foi uma receita
Para mais uma caixa de comprimidos

É Primavera la fora
Mas o vento e o escuro esqueceram de ir embora
Não sei o que está acontecendo dentro da minha cabeça
E com aquelas pessoas que também pensam nisso agora
A agonia deita ao meu lado todos os dias
Me abraça, envolve e susurra palavras que já foram bonitas

Siga o seu coração, abrace mais uma ilusão
Seja pego fazendo aquelas coisas que todos abominam
Virá o isolamento, a depressão e ideias de suicídio
Não há mesmo sentido embora tenhamos tentado
A vida para nesses momentos
E você deseja muito que exista mesmo outro lado

Não procure demais


as vezes a gente precisa dessas coisas
uma discussão proposital
ficar longe de casa e
tentar parecer
normal

alguém voltará a beber nessa madrugada
outro cara gente boa perderá a cabeça
quando descobrir o que a vida reservava

vou acordar amanhã
ou não
e o dia e os insetos e
até as serpentes
seguirão em frente sem
entender isso

Mais um


O vento do sul sempre me faz pensar em outro cigarro

Outra vez sozinho e ouvindo aquelas musicas para meditar e sonhar

Me preocupo um pouco com a falta de vida que tem me acompanhado

Não que eu tenha parado de sair e abusar do que faz mal

Mas depois dos vinte e muitos tudo parece que ficou sem graça e complicado

Não consegui ainda resolver todo aquele drama

Pela falta das mulheres que eu quero e pelo sucesso

Que nunca foi alcançado

 

Vá para onde você estiver pensando em ir

É pior do que morrer ficar a vida toda no mesmo lugar

Sem saber o que tinha do outro lado daquela estrada

Sobre a noite e o dia


Enquanto as manhãs eram marcadas
Pelo coma da noite anterior
O vazio se superava semana após semana

Com seus insuportáveis espetáculos de realidade
Os efeitos do veneno ainda presentes
Nas primeiras horas de respiração
Apenas confirmavam que era necessário
Matar aquelas coisas que não deixavam dormir
Que era necessário olhar o mundo de uma forma egoísta
Se você quisesse continuar alimentando a ilusão
De que valia a pena e havia algum sentido em existir

Em uma hora começava toda aquela euforia
Causada pela mistura dos medicamentos
Tudo começava a ficar perfeito de uma forma
Que nada mais importava desde a noite não terminasse
E que eu ainda fosse o astro de um filme perfeito

Os anos passavam e nem mesmo a melhor mágica
Conseguia vencer a verdade para a qual todos nós
Lentamente éramos convocados
Tento não pensar que nossa importância é passageira
E que o tempo não se importa por não conseguir se importar
Tento imaginar que mais pra frente as coisas serão resolvidas
E alguém encontrará uma forma de fazer a noite não acabar

O momento mais misterioso da semana acontece na madrugada de segunda-feira


Não sei direito do que chamar. Se é hora de renovação espiritual, curar ressaca, ou encher a cabeça de merda novamente pensando no que fará quando acordar. Se você tiver a chance de observar a madrugada nesse exato momento, é possível que você comece a entender sobre o que é essa conversa.

Lembro de estar com uma mulher na casa do seu amigo alguns anos atrás e comentar essa sensação. Eu via um cara em farrapos andando na calçada e com um pedaço de pau na mão e destruindo o patrimônio público. Em volta e ao longe se via luzes acesas nas janelas dos milhares de apartamentos espalhados pela cidade. Eu pensava no que essas pessoas poderiam estar pensando ou fazendo alguma hora dessas. Imagino que pra muitos caras essa era a hora em que já não havia mais o que se pensar.

É uma madrugada de segunda-feira e parece fazer mais sentido falar sobre isso agora. Sabe-se lá o que as pessoas fazem nessas horas. Em algum canto há alguma cara legal chorando pelo pesadelo do sábado à noite. Há uma menina amando um cara que ama suas amantes. Há alguém que só consegue se apaixonar se o rapaz lhe mostrar diamantes. Problemas graves acontecem dentro de um carro parado há horas enquanto mais um está sendo roubado. Uma senhora derrotada se ajoelha e faz uma oração. Outro jovem enlouquece tentando entender o silêncio em meio a tanto terror.

Há um tipo de medo com ansiedade que se esconde na escuridão. Tento até respirar devagar para tentar não estragar o momento, parece que alguém vai escutar. Um drama a mais na luz sombria daquele poste. Tento não me perder nesse texto ao misturar fatos e um pouco de poesia. Mas pensando bem, não há outro modo melhor de explicar. Algo realmente incrível acontece nessas horas e tudo desaparece quando é de manhã.

Aonde é que elas foram parar?


A com sotaque esquisito

Que mentia sempre

Que era possível

Mas tinha um sorriso

Que chegava a ser bizarro

De tanto que era bonito

 

Conheci uma que trajava

Um vestido de azul de vinil

Usava perfume caro

E falava sobre como era sofrido

Ter que acordar cedo e tomar um espumante importado

 

Tinha aquela que mentiu a idade

Não que alguém se importasse

Seduzia quem quer que se arriscasse

A olhar para seus olhos delicadamente pintados

E quase que ocultados por seus cabelos vermelhos

 

Uma delas era intocável

Andava como se tudo em sua frente

Fosse um espetáculo

Um show para apenas alguns convidados

Estive por quatro minutos na lista

Dos selecionados

 

Mas apenas uma delas

Conseguiu me deixar desorientado

Em poucos minutos

Me senti totalmente embriagado

Parei de respirar

E o melhor que eu consegui foi ficar estático

Esperando um tempo que não ia passar

Olhando aquilo que era perfeito

Rezando para todos os deuses para

Que ela sentisse o mesmo

Ninguém mais está presente


A consciência se esvai

Assim que você encara outra perda

Outro golpe que não dá

Para esquecer nunca mais

 

O horizonte fica um

Pouco mais turvo

Quando o melhor amigo

Já não faz tanto sentido

E aquela rua deformada

Torna-se a única estrada

Que oferece uma saída

 

É complicado dizer

Mesmo se alguém perguntar

Como é que de repente

Tudo se perdeu

Você não saberá o que falar

Não há respostas olhando para trás

 

Você procura novamente

Coisas irreais, inexistentes

Já não sabe mais se de fato

Perdeu a lucidez

Ou está apenas inconsciente

Rick


Imagem

Rick não sabia qual era o seu lugar

Em seu lugar, muita gente seria feliz

Acima de qualquer padrão

Mas felicidade parecia ser uma linguagem

Difícil demais para quem escolheu a escuridão

 

Na faculdade se entregou aos bares

E nas noites mais exageradas

Fez o seu lar e construiu uma ilusão

Se iludiu achando que era pra sempre

Sempre achou que tinha descoberto algo maior

Mas na maior parte do tempo apenas sonhou

 

Os pesadelos de Rick ainda o acordam de madrugada

Não mais tão jovem, ainda madruga procurando

Respostas que jamais vai encontrar

Se pergunta até hoje por quê é diferente

Mesmo sabendo que não faz mais diferença

Naquelas noites nas quais costumava acreditar

Volta do Blog


Olá amigos, como estão?

Faz aproximadamente 2 anos que o blog interrompeu suas atividades por problemas de domínio e bloqueio pessoal também. Quanto ao domínio, eu não tinha grana na época para bancar a hospedagem junto com a anualidade do site. Logo, assim que o contrato foi expirado, todos os poemas depois o último conto “lágrimas e névoa” foram perdidos. Tentei voltar com esse endereço do blog, só que também estava bloqueado. Para minha surpresa, abri meu e-mail esses dias e vi um comentário de um leitor aqui e me surpreendi que tinham liberado o acesso novamente.

E o que me fez parar de escrever foi que de repente pareceu que não havia mais sentido em continuar com as coisas, entrei em uma fase que nem sei como descrever, era bom porque não havia mais tanta tristeza e ruim porque não havia mais palavras a dizer. Às vezes entramos em uma rotina tão repetitiva e “sem vida” que acabamos no perdendo dentro de nós mesmos e esquecendo de sentir a oportunidade de vida que nos foi dada. O que aprendi nesse período foi que se nos compararmos ao universo, a algo maior que nosso egocentrismo, vamos perceber que nosso tempo aqui equivale não muito mais que uma volta rápida lá fora.

Agradeço a todos os que durante esse meio tempo encontraram um jeito de falar comigo para perguntar sobre o blog. Como eu dizia lá trás, vocês são a razão dessa poesia estar aqui.

Diego Z.

Lágrimas e Névoa – Parte 8/8


30 de Dezembro

 Imagem

O que me restava de controle fugiu do meu esperado. Destruir o corpo não foi tão legal como nos filmes. Agora tenho idade para ser avô, e nem mesmo filhos consegui ter. Não que eu ainda goste de encarar tudo com drama, mas a essa altura já não há muito que fazer. Aproveitei bastante sim na juventude, mas sabia que ela me deixaria, como os amigos. Nada novo nisso.

Penso que é hora de trancar minha porta e ir embora de vez. Não há mais conselhos a serem seguidos, apenas a raiva que no final fica. As pessoas nunca se importarão realmente com você, os gestos de amizade sempre cobrem interesses próprios. Não espere ficar velho para entender isso.

 Tudo o que quero hoje é descansar naquele lago, sem parar para pensar no depois. Essa cabeça explodindo ainda me mata, vai ser a última vez que uso aquelas drogas, juro. Para garantir, serão todas de uma vez.

Começo a sentir um pouco de alegria. Desde que tudo começou, eu soube como acabaria. Não há sentido em continuar escrevendo, sentirei saudades daqui.

Agradeço esse lugar, Silent Hill…As lembranças, a fé perdida, sonhos dolorosos, família de assassinos, falsas esperanças, ganância, velhice, morte, inferno, paraíso….