Lágrimas e Névoa – Parte 3/8


2 de Setembro

Encontrei algumas pessoas que se parecem comigo, a diferença é que elas são de poucas palavras, e não se interessam muito pelo que digo. Mas tudo bem, quem se interessa afinal. Algo estranho que percebi nesse tempo todo, é que ainda não vi o Sol. Posso perceber a luz tentando dizer algo atrás das nuvens, mas às vezes fica difícil de ver o que está a um metro a frente. Acredito que na maior parte do tempo seja por opção.
A chave que está comigo era de uma casa que meu pai tinha na cidade. Depois de algum tempo fui me adaptando ao local, quieto, melancólico, e às vezes com ruídos indecifráveis. Tem dias que fica tão difícil levantar da cama, tudo que eu quero é apenas ficar em meu quarto, tenho pouca fome e muito sono, e essa tristeza parece não acabar nunca. Eu sentia algo parecido no antigo bar de todos os meus fins de semana, geralmente após algumas doses ou quando eu decidia que meu salário daquele mês seria para os traficantes.
Nesse novo lugar perdi a vontade de procurar outro mundo pelas drogas, talvez pelo fato de aqui ser o outro mundo. Acredito que seu voltasse a usar, estaria novamente na realidade que todos vivem, e isso não quero nunca mais.

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Publicado em 21/09/2011, em Contos e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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