Lágrimas e Névoa – Parte 1/8


06 de Agosto

Há alguns anos meu pai falava desse lugar. Incrível ver aquele sorriso tão cativante em um rosto velho e cansado pelos anos. Nunca consegui entender direito as histórias que ele contava. Apesar da idade, a memória continuava a mesma de um menino que nunca esquece a alegria do primeiro brinquedo ou a tristeza do último dia na escola.
Em um dia qualquer ele simplesmente disse:
– Filho, preciso ir.
Com um desapontamento notável no olhar, logo pensei:
– E há algum lugar pra ir?
Mas não falei nada. Acreditava que naquela idade a solidão e o esquecimento já tinham modificado boa parte dos seus pensamentos. De fato, aconteceu mesmo. Agora, dez anos depois, às vezes ainda tento recordar o seu lugar preferido, ou algo que sempre quis fazer. Mas só consigo perceber o quanto o tempo nos tornou distantes enquanto fingíamos que estava tudo bem.

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Publicado em 19/09/2011, em Contos e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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