As coisas que não mudaram


Eu continuo aqui
Nesse quarto que agora é azul
Após anos vivendo com todas as cores
Alguém me disse que agora eu ia ficar calmo
As crises de pânico seriam resolvidas
Basta olhar para os hospitais
A ala psiquiátrica
O quarto deles se parece com o meu

Antes eu não sentia nada
Agora me sinto melhor por não estar pior do que era
Os copos sujos não mudaram
Ainda preservam a estante manchada
A roupa velha que uso em casa me deixa mais confortável
Aos poucos vai me deixando menos sociável

Procuro saídas nos livros de algum homem que já morreu
Espero que ele tenha escrito as palavras certas
Para me salvar dessa vida que não escolhi

Penso em alguém do passado
No vício, e em como estou condenado
Hoje à noite verei pessoas nas ruas
E vou me perguntar quantas delas parecem viver
Embora há anos, como eu, já tenham se entregado

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Publicado em 27/04/2011, em Poemas e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. “.. E vou me perguntar quantas delas parecem viver
    Embora há anos, como eu, já tenham se entregado” muito bom esse final !

  2. “Penso em alguém do passado
    No vício, e em como estou condenado”

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