Ecotone

Desde a época da adolescência eu percebia que as coisas novas, apesar de interessantes e revolucionárias, nunca eram tão boas quanto as antigas. O jeito que as roupas mudam, as novas tecnologias da televisão, tudo acontecendo em prol da interatividade global, acaba parecendo uma corrida sem fim com destino a lugar nenhum. Muitos podem dizer que é questão de adaptação, resistência a mudanças, e nostalgia. Estão certos. Mas quem pode explicar aqueles momentos que nos despertam um sorriso ligeiro, aquele tempo só seu em que você acha que nem vale a pena explicar porque eles nunca entenderiam com a mesma profundidade que você? Acredito que todos tenham alguns.

Apesar de ainda não conhecermos um modo de viajar no tempo, existe certos lugares em que de alguma forma entram em conexão com nosso espírito. É aquela natureza que apesar de já ter sido modificada um dia pelo homem ainda preserva sua forma mais primitiva. Os caminhos que começam em um asfalto de alto investimento e em minutos se transformam em estradas de terra batida e cascalhos. As rochas agora já desenhadas pelos elementos naturais, atraem nossos olhares curiosos, procurando por algum formato peculiar. O céu que sempre parece preparar uma obra de arte para os poucos que ainda sentem aquela emoção primitiva em observa-lo. E também as árvores, gigantes e rasteiras que teriam tanta história para contar que dificilmente um homem moderno acreditaria.

Henry David Thoreau acreditou um dia que o homem para encontrar a si mesmo, deviria ir de encontro com a natureza e viver do essencial. Viveu por dois anos nos bosque às margens do rio Walden, e escreveu um livro sobre essa jornada. Uma citação marcante e que dá início a sua história é “Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte, que não tinha vivido.” É um fato para ser refletido com sabedoria.

Talvez a preguiça da modernidade de ainda não ter dado atenção a esses lugares mais afastados das grandes cidades, nos dê esse sentimento de que aquela paisagem é uma forma de olhar pra trás sem aquela tristeza nostálgica no olhar. A vontade de tomar um café com leite de verdade em uma casa antiga, comer aquele pão feito em casa sem gosto de linha de produção, e conversar com aquelas pessoas que acharam ali um abrigo contra o monstro do mundo moderno, parece ser um pedido que vem com muita força da alma. E também um elixir da vida para o corpo.

Não acredito que todas as pessoas sintam o mesmo que eu quando se encontram em tal situação. Sei que boa parte sentiria tédio e não tiraria a cabeça da novela ou seriado e o smartphone seria uma extensão do corpo. É triste como muita gente esquece ou mesmo não dá valor para esse nosso lado mais antigo. Não é preciso viver no passado ou se tornar algum tipo de rebelde contra o novo mundo. Mas o que tenho certeza é que aqueles, como eu, que ainda sentem essa vida extra dentro de si, nunca devem ter preguiça ou adiar esses encontros. Nunca será uma perda de tempo. Esteja certo de que você conhecerá, ou ao menos se lembrará da felicidade verdadeira.

Por Diego Z.

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Publicado em 16/02/2011, em Fatos da vida e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Little Dreamer

    Interessantissimo! Gostei bastante. Eu também sou assim, gosto de coisas naturais que a maioria das pessoas acham entediantes e consideram como algo “idiota”. Gosto do som da chuva, gosto do som dos trovões quando chove, do cheiro da terra molhada, do som dos pássaros, gosto do cheiro das plantas e flores, gosto de acampar, de ir à sitios, gosto muito de animais; acho mais fácil entender eles do que o ser humano… As vezes, quando chove, sento na sacada de minha casa e fico observando o vento e a chuva, apenas com meus pensamentos de companhia. Momentos que me deixam nostalgicos de um passado que fora bom! Não gosto de ir às populares “baladas”, não gosto de sair com quem não conheço, não gosto de “caçar meninas”, pois acho que não é algo correto. Como um adolescente, muitas pessoas me julgam como um idiota, mas eu gosto de ser assim. 🙂

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